Será que vamos mudar mais uma vez o conceito sobre moradia?

O cenário no qual nos encontramos hoje.

Não há dúvidas que vivemos um momento ímpar das últimas gerações. O ano de 2020 impactado com a pandemia da COVID-19 vai ser lembrado como um ano que para muitos não existiu, que foi perdido. Pessoalmente discordo, é um ano de rever conceitos, hábitos e questionar algumas “verdades” da nossa civilização. Principalmente nos grandes e médios centros urbanos.

Boa parte dos problemas crônicos de nossa sociedade vão receber um fôlego para que possamos repensar nossas cidades, formas de trabalhar, de convivência humana e com os animais.

A expectativa que se forma e rapidamente começa a se concretizar é que precisamos ser mais família, formas de trabalhar mais inteligentes e fazendo uso da tecnologia disponível e que por algum motivo não estávamos fazendo o melhor uso delas.

Como essas mudanças todas vai impactar nas moradias?

Boa parte dos arquitetos, construtoras e toda a cadeia produtiva da construção  civil concorda e começam a repensar seus projetos para ajustar seus lançamentos a essa nova realidade.

Nas últimas décadas os imóveis e especialmente os apartamentos foram planejados para uma vida prioritariamente fora de casa. Os edifícios nos últimos anos até foram equipados com suporte para o convívio social dentro do condomínio, mas a realidade imposta pela pandemia da COVID-19 nos leva a crer que isso não é suficiente. Precisamos de moradia onde o convívio social seja prioritariamente em família,  dentro dos lares.

Vamos precisar de mais espaço

O espaço físico tende a ser mais valorizado. Já que agora temos de passar mais tempo em convívio em casa, precisamos equacionar a questão dos espaços, não só pelo tempo que teremos juntos, mas também pelas múltiplas atividades como trabalhar no sistema home office, estudar EaD e pela diferença etária dos membros da família.

Uma opção é atualizar o conceito dos imóveis mais antigos que foram construídos com áreas maiores, as casas que vinham sendo um pouco desprezadas podem vir a ser uma excelente opção já que passem a ser ocupadas em tempo integral e fiquem menos suscetíveis aos furtos. Além da possibilidade de se explorar mais as áreas verdes, seja pela possibilidade de realizar hortas, jardins e as que dispõem menos áreas externas tem a possibilidade de adotar os jardins verticais.

E as vagas de garagem?

Em muitas famílias, as vagas de garagem deixarão de ter uma importância tão grande, talvez o compartilhamento do carro seja uma alternativa viável em muitos casos por conta de trabalho home office e estudar no formato EaD. Em contrapartida, bicicletário, ganchos para bicicletas dentro dos apartamentos e tomadas para bicicletas e motocicletas elétricas tornam-se imprescindíveis.

Cozinhas como centro de convivência familiar.

A tendência que a cozinha passe a ser o ambiente de reunião familiar é bastante provável. Mais pessoas em casa pede uma cozinha mais ampla, com dispensa maior, deve estimular  uma alimentação mais saudável do que fast-food deve prevalecer ao longo do tempo.

Material de acabamento mais fácil para higienizar.

 A tendência é que materiais como porcelanato, mármore e granito venham a ganhar espaço em nossos lares em detrimento de materiais mais porosos como pedras, madeira, tecidos, carpetes.

A eficiência e praticidade na higienização dos materiais deve ser determinante para a escolha de que materiais deveremos usar em nossas moradias. Espero que a indústria da construção desenvolva novos produtos que levem em consideração essas mudanças que já se encontram em curso.

Algumas culturas desenvolveram hábitos de deixar os calçados na entrada da casa para que se mantenha o ambiente dos lares mais limpos e menor chance de contaminação por impurezas trazidas nos calçados. Talvez seja o caso de se pensar em agregar a este ambiente um local de descontaminação de compras e objetos enviados para nossos lares.

Só o tempo dirá se essas reflexões sobre mudanças que hoje se apresentam como tendência serão realmente assimiladas por boa parte da população e implementadas efetivamente.